12 de nov de 2013

Queimando fases

Sábado um senhor veio a mim puxar conversa na rua.Conversa vai,conversa vem,ele diz umas palavras que me chocaram de tal modo que fiquei sem o que falar. Raramente isso acontece,tenho a imaginação fértil que só uma criança (e as vezes nem elas) me entenderia quando estou em crise.Bem,os adultos dizem que fico em crise quando não paro de falar,fico histérica,nervosa e começo a ter alucinações em palavras.Parece que todos os meus sentimentos sobre a tal situação são vomitados em forma de sons. Como uma criança em êxtase ao receber seu presente tão desejado ou ao pensar que no tempo decorrido entre ir a outro lugar e voltar a loja,todos os seus brinquedos possam ser vendidos e voltar para casa com as mãos abanando.Sim,sou puro êxtase.Não paro quieta,sou inquieta por natureza e faceira por dna. Meu amor,esse é o jeito que sou,goste ou não,sempre serei uma criança que não pensa no pretérito,por mais que perfeito ele for.Meu futuro está no presente que faço minhas inúmeras contradições. E as amo por sair de mim,e não por virem de sei lá quem.Me orgulho. Voltando ao senhorio, disse-me: "Carolina,Carolina,não é bom queimar fases". Disse-me pois esbravei com toda a minha força: Não quero ficar perto de "jovens",esses adolescentes de hoje em dia.Me fazem recordar apenas todas as vezes que fui ridicularizada por os tais. Esses tais que me acham estranha.Esses mesmos tais que acham que vivem la vida como deve ser vivida.Não os aprecio e nem quero sua companhia.Mas realmente esse senhor tem razão.Sua camisa Lacoste não me deixa enganar que ainda tem em si um espirito jovial.A 'alegria' está no espirito jovem,as melhores e maiores recordações estão nessa fase.Mas a minha está sendo um mar de lagrimas pretas como a graúna.Choro cabelos de índia.Mas não posso dizer que não tenho vontade de ter amigos.Tenho,mas não como os da tv. Não os que te veem chorando pelo canto e já sabem o motivo.Não os que me convidam para viajar pelo exterior.Muito menos os que sempre estão na minha casa,abraçando minha mãe e dividindo meu quarto para falar besteiras o resto da noite e ser feliz por algum tempo.Pois me recuso a viver isso,vejo falsidade e efemeridade em todos esses aspectos.Minha vida é toda ao contrário disso:minha melhor amiga vive há doze horas de distância de mim,uma unica morena milionária (vulgo vest),no geral,classe média com dificuldades financeiras,são loiras,tem sonhos bem grandes e o coração do mesmo tamanho para caber também decepções. Choram com frequência,riem quando podem.Odeiam a mediocridade dessas garotinhas joviais e pensam como adultas.Encaram a realidade como ela é.Me sinto parte disso,me inspiro secretamente nelas.Não sou nem a metade que elas são.Mas algo o tal senhor tenha razão,talvez quando todas nós (sim,incluindo as amigas) estivermos mais velhas,vamos sentar na nossa poltrona de veludo persa e querer ser novamente adolescentes.Até lá,espero ter filhos e compreender exatamente a mentalidade deles.Poder entendê-los e perto e nunca ser uma velha rabujenta.

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